terça-feira, 20 de abril de 2010

They are family

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A família mais famosa dos Estados Unidos e arredores nasceu de uma curta-metragem no The Tracy Ullman Show. Mais célebre até, arriscaria a dizer, que qualquer clã presidencial que ocupe a Casa Branca. Com domicílio fixo em Evergreen Terrace, numa Springfield de um dos estados norte-americanos, há anos que animam os serões de miúdos e graúdos.

Ousados, idiotas e, acima de tudo, bem-humorados, os membros da família formam um grupo mais do que heterogéneo. Apesar das contrariedades, dos acidentes e das peripécias impossíveis, existe uma forte ligação entre todos que garante a sustentabilidade da prole de Homer e Marge.

Caracteristicamente amarelos, cabelos irreverentes ou falta deles, olhos grandes e sorrisos largos, os Simpsons são inconfundíveis. O sucesso, todavia, foi tão inesperado quanto repentino. As primeiras aparições aconteceram no programa de Tracey, à laia de sketch bem-disposto. Foi paixão à primeira vista. Dos cinco minutos de fama rapidamente passaram ao episódio de meia hora. E as temporadas sucederam-se uma após outra, numa quase inesgotável criatividade de argumentos e personagens.

Razões para o sucesso? O humor, do naïf ao mórbido, a crítica aos costumes e ao conservadorismo exagerado ou ao cego fanatismo e, talvez a mais forte, as semelhanças entre ficção e realidade. O chefe de família preguiçoso e despreocupado, a dona de casa omnipresente, a rapariga ajuizada e inteligente, o enfant terrible, traquina e irresponsável e a bebé astuta, possuem traços que facilmente se apontam aos que se cruzam connosco.

O patrão avarento, o vizinho idiota, os desenhos animados violentos, a cerveja e os amigos aproximam-se igualmente do quotidiano, tão comuns que ultrapassam as fronteiras e deixam que mesmo na Europa se reconheçam nas personagens muitos traços dos esplendores e das misérias quotidianas.

Quase sem dar por isso, tornaram-se um caso sério de longevidade. Contas feitas, já lá vão mais de vinte anos. Surpreendente? Bart teria a exclamação ideal. ¡Ay, caramba!

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