segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Bela e a Fraude

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Para se desenganarem a si mesmas, as jovens moçoilas costumam dizer que o príncipe encantado não existe. Não podiam estar mais certas.

O problema é que princesas encantadas, daquelas que têm a sua existência constantemente atormentada por uma bruxa malvada, também não existem. Que sejam princesas pronto, ainda se pode acreditar, agora os feitiços, aqueles sortilégios de meia tigela, é que não convencem ninguém.

A Branca de Neve já foi descoberta há muito. Uma grande aflição, ai que é uma maçã envenenada, ai que era tão boa pessoa, mas afinal ficou-lhe um pedaço entalado que facilmente escorregou com uma respiração boca-a-boca. E foi uma sortuda, a menina Branca, porque se em vez do príncipe montado no corcel branco ela tivesse de esperar pela viatura de emergência do INEM, ainda hoje os anões lá estariam a chorá-la.

Eis que chegou o momento de desmascarar a Bela Adormecida. Aquilo não foi coisa que lhe deu assim do pé para a mão. Nah, nah… Diz que é doença, é a síndrome de Kleine-Levin! Apareceu agora uma jovem inglesa que padece do mesmo mal e que precisa de um valente abanão para despertar da sonolência em que vive. Acredita-se que se trata de uma infecção viral, combinada com uma predisposição genética. Ora bem, tendência para a preguiça já todos temos. A infecção… bem, acontece.

Foi o azar da Belinha. O fuso estava enferrujado, a menina foi lá picar e claro, o bicho pegou-se-lhe. Depois, nada mais simples do que esperar por um jovem bem apessoado que a cumprimente de forma um tudo-nada atrevida (sim, que foi logo beijo na boca).

Por isso, jovens do nosso tempo, desenganem-se. Não esperem que apareça do nada um príncipe encantado: vão mas é ao médico com frequência e tenham cuidado com a fruta que comem.

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