segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mão-de-obra

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A cultura chinesa ainda hoje fascina muita gente.

Compreende-se. Nós, monstruosos ocidentais, não vivemos em casinhas de papel, não andamos com os pezinhos em arrozais nem bebemos, de pernas cruzadas no chão, chá em porcelanas coloridas. Há depois toda uma panóplia de dragões e queixas que compões o cenário exótico do Oriente. Eles parecem estar muito bem e falam em cultura milenar. Os ocidentais, menos satisfeitos, preferiram guardar apenas meia dúzia de tradições deturpadas e tratar com estranheza e desconfiança o que vem do outro lado Mundo.

Agora, com esta coisa de uma Exposição Universal em Shanghai, foi a vez de a China receber a presença de outras paragens do planeta azul. Portugal fez questão de se ir mostrar e decidiu pegar na cortiça, essa fascinante matéria-prima da qual se fazem, assim que me lembre, rolhas. Pronto, ainda há os revestimentos acústicos ou a bela da chinelinha, mas nada que prime pelo fantástico ou que possa pôr os chineses de olhos ainda mais em bico.

Mas não, afinal pode mesmo. A cortiça que forra o pavilhão português na exposição fez tanto sucesso que os senhores chino-nipónicos, de que é feita grande parte da massa dos visitantes, decidiram levar para casa pedacinhos de cortiça, assim como quem arranca um pedaço de rocha de uma gruta de aparições ou traz um cantil com água do Jordão.

Por este andar, e se não forem tomadas medidas, não vai haver grande trabalho a desmontar o espaço quanto terminar Shanghai 2010. Até lá, os visitantes terão feito o trabalho. E, pasme-se, sem cobrar nada por isso.

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