quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rentrée

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Acabaram as férias do Belvedere.

Agora, se ainda restarem leitores, era simpático ver uns comentariozinhos aqui em baixo. Qualquer coisa do género «Boa! Mal posso esperar para voltar a ler os vossos disparates» ou «Ai, estava cheio de saudades de uma bela prosa».

Só para saber se ainda está por aí alguém...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sem título

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Depois de agradáveis e gentis, que agradeço à Maria, e outros que talvez o procurem ser, provenientes de figuras cujos costados fazem estremecer um qualquer membro do Terceiro Estado, entendi que devia esclarecer os leitores, ou o que deles resta, acerca de tão grande ausência de palavras.

Ora sucede que, por uma larga panóplia de vicissitudes, fugas ao quotidiano e decisões que comprometem o que ao futuro diz respeito, a imediata vítima destes sucessos e infortúnios foi o Belvedere.

Com a rentrée aproximando-se a passos largos, ditando os últimos dias ansiosos da silly season, a promessa que aqui deixo aos que permaneceram fidelíssimos, não digo leitores, mas antes expectantes espectadores, é a de trazer, juntamente com as primeiras folhas que na alvorada do Outono se desprendem das alturas de um plátano centenário, uma recuperado ritimo de escrita, mais regular, a este espaço e, quem sabe, com novo rosto e novo espírito.

Enfim, não é de mais deixar uma palavra aos que ainda se alcanduram no Belvedere, esperando para nele descortinar as ideias e os desacertos dos autores.

Até breve.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Le jardin

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Burocracias

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O mais natural depois de acabar uma licenciatura seria, depois de seis semestres de propinas, receber um papelinho a dizer que sim senhor, que resistindo a Bolonha havíamos vencido três anos não se sabe bem de quê. Era o mínimo.

Mas não. Para além da romaria aos serviços académicos, há que desembolsar cento e poucos euros (não é bonito andar assim a falar de dinheiro, mas que ele há coisas que irritam, há) para, note-se, mais de um mês depois se dignarem a imprimir um papelinho onde consta o nome, curso e notas e, suponho, um carimbo que autentique a coisa.

Que o mítico diploma, com direito a selo pendente e as inscrições em latim, seja demorado e bem pago ainda se compreende. Mas um papel, um simples papel com uma lista de classificações, ser quase uma espécie de convidado importante que se faz esperar, e não é pouco, é um simples abuso.

Será que o pessoal da secretaria que frequenta os cursos só para ascender na carreira e embolsar mais uns trocos ao fim do mês também anda assim tão desesperado por um certificado?

Quanto aos alunos a sério não tenho dúvidas. Os mestrados estão à porta e é preciso andar com isto para a frente. O pior é que se todos os documentos que hão-de ser necessários pela vida fora demorarem o mesmo tempo a ser emitidos, então o caminho vai ser bem demorado.

Love the look

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Não é gago

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Afinal, la Rouchefoucauld estava certo.

Sunset

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Fôlego curto

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Nuestros hermanos venceram. Verdade difícil de ser aceite pelo orgulho lusitano, mergulhou o nosso pequeno rectângulo, entalado justamente no quadrado espanhol, num silêncio amargurado.

Para que conste, ter à minha frente num qualquer televisor, um jogo Portugal-Espanha no mundial sul-africano ou uma partida amigável de andebol no pavilhão desportivo das Pedrinhas de Baixo, surte exactamente o mesmo efeito. È um jogo, apenas um jogo. Ganhe-se e perde-se com a facilidade que a sorte e, claro está, as capacidades e o esforço permitem.

Portugal ficou-se pelo caminho. Pode até dizer-se que teve fôlego curto neste campeonato. O que, espero, tenha acontecido também com as vuvuzelas ou, na versão ignorância, vuzelas. Sopraram-nas com intensidade, mas por pouco tempo.

Resta esperar que a moda passe. E que daqui a dois ou a quatro anos, quando um novo evento futebolístico mergulhar os portugueses no maravilhoso mundo da inacção e das tolerências de ponto e horários de almoço prolongados, se lembrem de distribuir ao povoléu alguma coisa menos ruidosa.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Habitez-moi

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De luas

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Diz o povo, quando alguém parece ser inexplicavelmente inconstante, que é de luas.

Ora, há também quem diga que estes ditos populares algum fundamento hão-de ter. Eu começo a acreditar que sim. Agora que estamos em quarto minguante, tudo parece ter voltado à normalidade. Mas antes, com lua cheia, bem se passou um mau bocado.

É por isso que a expressão ser de luas vai deixando de me parecer tão popularucha e desadequada. Na semana do pleno arredondamento lunar o mundo, pelo menos o meu, esteve prestes a ruir. Os infortúnios, os desesperos, as frustrações e as ansiedades atingiram as dimensões de uma catástrofe sobre-humana. Paradoxalmente, nas noites mais iluminadas, nunca o cenário me pareceu tão escuro. Desalento é um adjectivo insuficiente para classificar certo estado de espírito.

Mas enfim, vai-se a ver e, agora que o disco lunar vai desaparecendo a cada dia, até ficar completamente oculto, as coisas retomam o caminho do costumado quotidiano. Relativizam-se os dramas, o que parecia irremediável deixa de o ser e o que julgámos impossível de acontecer passa-se ali, mesmo à nossa frente.

Que o satélite onde, dizem, até já chegou uma cadela russa, influência marés e mais qualquer coisa, isso é sabido. Mas ter o poder de, ou distorcer os factos ou, pelo menos, a forma de os encarar, é um nadinha mais duvidoso.

Bom, qualquer semelhança com um post pseudo-esotérico-astrológico é puro acaso. Só queria mesmo tentar perceber se a vida é de luas. Ou apenas serei eu?.

domingo, 27 de junho de 2010

Le Grand Tour

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sábado, 26 de junho de 2010

Fim de tarde

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Era um dia como outro qualquer.

Era um dia como outro qualquer. O jardim vazio, por ser sábado, a roçar o entardecer. Nos bancos, as mesmas personagens. O bêbado desabrigado, a cigana sisuda a chinelar, a avó descuidada fumando tranquilamente um cigarro ao lado da neta ingénua e pálida. A um canto do arvoredo, o roçagar de vozes soalheiras na esplanada do quiosque. Uma mulher passeia o cão, despudorado, a alçar a pata sem hesitações.

Era um dia como outro qualquer. Das casas meio adormecidas, abrigadas do sol pelas janelas cerradas, esgueiravam-se farrapos de conversas, de zangas, de músicas sem gosto, de choros de crianças birrentas aborrecidas pela pasmaceira da tarde. Nos beirais, os pássaros chilreavam sem emoção, obrigados apenas a quebrar o silêncio monótono da tarde.

Era um dia como outro qualquer. Gente passeava, na tranquilidade de um dia que não foi de trabalho. E turistas, de roupas leves, linhos e alças, ar descontraído e ruborizado, naquele tom encarniçado de quem estranha o sol da praia lusitana. Apontam para os chafarizes e estátuas em que mais ninguém repara, por a gente que ali desfila diariamente se ter habituado a ver esses pedaços de pedra sem os olhar, no corrupio do quotidiano sem tempo.

Era um dia como outro qualquer. Das chaminés arrepicadas começava a desprender-se preguiçosamente o fumo dos primeiros jantares, cozinhados na impaciência de quem com eles perde tempo ou preparados na satisfação de haver comensais a quem servir o manjar saído da mão própria. Um cão latia, distante, guardado na algum quintal que os portões verde escuro ou os muros onde uma trepadeira se enrolava escondiam.

Era um dia como outro qualquer. O sol escorregava lentamente para as águas do Tejo, sereno, quebrado apenas pelo zumbir da ponte. O telhados fundiam as formas angulosas numa só mancha cinzenta, recortada contra o poente. Um silêncio, tão vago quanto misterioso, ocultando tantas vidas detrás das paredes coloridas, cobria a cidade, pousava suavemente em cada colina, em cada rua esquecida.

Era um dia como outro qualquer. Mas podia ter sido o último.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Back to the 60's

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Quem fala assim

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On n'est jamais si heureux ni si malheureux qu'on s'imagine.

La Rouchefoucauld

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Na moda

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Chapéus, há muitos

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Terminou há poucos dias o desfile de excentricidade nas corridas de Ascot.

Nem de propósito, já que se fala em tradições, este ano os organizadores das célebres corridas, nas quais a Rainha faz questão de comparecer, viram-se obrigados a advertir alguns dos presentes sobre o trajar adequado a semelhante evento.

Ora, para quem não sabe ou, remota hipótese, ainda não esteve lá, o dress code passa por chapéu alto e casaca para os cavalheiros e vestido e chapéu, preferencialmente extravagante, para as senhoras. Como isto agora está, literalmente, tudo virado do avesso, alguns estouvados revolucionários optaram por indumentárias mais simples, desviando-se dos padrões tradicionais.

É que se um chapéu feito de lego pode fazer um vistaço em Ascot, o mesmo não se pode dizer de um senhor de cabeça descoberta ou de uma jovem de mini-saia. Portanto, como nas ilhas os britânicos não brincam em serviço, vai de pôr tudo na ordem. Corridas como manda a tradição, sim senhor, mas com traje a rigor. Chapéus irreverentes, muito bem, mas quaisquer outras inovações ficam à entrada do recinto.

Quanto tempo resistirá Ascot às pressões das tendências casuais não sabemos. Mas até lá, o melhor é escolher bem. Porque chapéus, há muitos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cap d'Antibes

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terça-feira, 22 de junho de 2010

O príncipe encantado

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A jovem Vitória da Suécia, quase uma «princesa do norte, do país da neve fria» como a velha cantiga reza, casou este sábado, não com o mouro da tradição, não com o príncipe encantado ou o cavaleiro andante mais cotado, mas sim com o seu personal trainer.

Verdade seja dita, o costume não é de todo inédito. Filipe de Espanha perdeu-se de amores pela jornalista Letizia e o próprio pai Carlos XVI Gustavo casou com a filha de um empresário germânico.

Esta coisa dos enlaces reais parece ter-se tornado um negócio exclusivamente do coração. Nada de casamentos impostos, amores proibidos, dramas domésticos à melhor maneira de Hollywood ou das novelas da Globo. Se para as cabecinhas mais liberais toda esta coisa de deixar o amor triunfar é muito bonita, os conservadores torcem o nariz a esta espécie de perversão dos costumes e da boa tradição. Então agora a realeza junta-se com a plebe? E pior, a lei da sucessão passa a preocupar-se unicamente com a primogenitura, ignorando completamente o sexo do herdeiro?

Diz o bordão que a tradição já não é o que era e, para o bem e para o mal, não é mesmo. Quanto ao príncipe encantado, e a realidade assim o prova, não passa de mera ilusão. E parece que até as princesas, aquelas de carne e osso com direito a coroa e a castelo, já perceberam a verdade deste refrão.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

l'Été

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domingo, 20 de junho de 2010

Le Grand Tour

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