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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Le Grand Tour
Uma contemplação de
Hugo Franco d'Araújo
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
Uns e outros
Uma contemplação de
Miguel Ribeiro Pedras
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14:52
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Humanos
.
A Science publicou recentemente um estudo com preciosas conclusões acerca das movimentações humanas. E a que conclusão chegaram os senhores? Numa palavra, previsibilidade.
Sim, a mobilidade das pessoas é algo de extremamente previsível. Surpresa absoluta! Aquilo a que eu na minha ignorância de cidadão comum designaria por rotina, parece afinal um comportamento digno de estudo. Dizem-nos então que as deslocações obedecem a certos padrões e que quase não existem indivíduos espontâneos. Nova surpresa.
Como parece evidente, nem toda a gente pode acordar e, num capricho matinal, tomar o pequeno-almoço em Tóquio, correr para umas comprinhas em Nova Iorque e acabar o dia numa esplanada em Barcelona. Não, a maioria das pessoas, a esmagadoríssima maioria, limita-se a fazer o trajecto entre o quarto e a cozinha para o ritual do desjejum. Depois, traçada a rota até ao local de trabalho, é aguentar a jornada. Algo de surpreendente até aqui? Pois, bem me parecia.
Acresce, naturalmente, o facto de alguns hábitos se entranharem imperceptivelmente em nós. Comprar o pão na mesma padaria, mirar os títulos do dia no mesmo quiosque, aquelas coisas triviais e quotidianas que facilitam a vida.
Agora que a rotina pode ser um problema, disso não duvido. Sempre as mesmas filas de trânsito ou os costumados rostos infelizes no metro. Os dias que se sucedem num vazio repetitivo. Não, isso realmente não deixa ninguém feliz. É preciso combater essa monotonia! Vamos lá a ser originais e a entremear o inadiável dia-a-dia com uns programazinhos diferentes. Umas boas gargalhadas, jantares originais, passeios inusitados, tudo a bem da imprevisibilidade e do bom humor. Para dar cor à vida.
A música recomenda que mudemos de vida se não vivemos satisfeitos. E nunca é tarde, «estás sempre a tempo de mudar». Nada de pensar duas vezes. Toca a quebrar a rotina e a fazer valer cada momento.
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Hugo Franco d'Araújo
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Do you want some soup?
Uma contemplação de
Miguel Ribeiro Pedras
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Um passeio no parque
..
Era ao fim da tarde que o parque tinha mais encanto.
Quando um silêncio melodioso, quebrado pelo canto da aves, caía devagar, descendo pelas copas do arvoredo e alargando-se nas oscilações suaves do lago. Gente, era pouca. As crianças, que o enchiam com as risadas e as corridas aos pombos durante o dia, desapareciam quando o sol declinava. Ficavam os velhos esperando por coisa nenhuma, os apressados que usavam as áleas para arrepiar caminho, e um ou outro artista solitário, de ar descuidado e olhar perdido. Nenhum deles quebrava a magia do lugar. Pertenciam-lhe mesmo, ajudavam a compor a atmosfera nostálgica do jardim.
Ao fundo, eram os pavilhões vetustos, imóveis na sua ruína disfarçada, inseparáveis do espelho de água que os reflectia. Não serviam para nada, mas o parque não seria o mesmo sem eles. Deram-lhe carácter e tomaram-lhe o nome.
Nos dias de chuva havia um brilho especial. Os caminhos enlameados, as gotas graciosas que lacrimejavam das plantas, a frescura que emanava dos recantos esquecidos onde ninguém ia, punham uma nota de tristeza no ar. Mas o prazer de caminhar no éden tornava-se ainda maior.
As esculturas habitavam o parque, como se ali tivessem encontrado o abrigo perfeito para a sua serenidade eterna. E havia uma vida oculta no olhar de mármore, onde se escondiam as memórias de um tempo áureo que se esfumara há muito. Sob os plátanos surgia um rei, numa clareira relvada um escritor e perto da água, comungando com ela, erguia-se um pranto. As pérgolas, espreitando sempre nas fotos onde se reuniam famílias numa alegria domingueira, continuam lá. Só os bandos alegres foram desaparecendo.
Ficou a saudade, a memória nostálgica que sempre o foi. Havia naquele pedaço de cidade uma alma forte, uma alma decadente onde residia todo o encanto. Uma decadência consciente, que não era do desvelo da gente mas do habitar da natureza. E eu passeava pela mão da avó, disfrutando do seu amor e da beleza do parque. Não queria mais nada. Era feliz.
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Hugo Franco d'Araújo
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Estrategicamente esperava-me.
Olhei-o de soslaio, conheço-o bem! Preferi não ligar e concentrar-me no que estava a fazer. Mas era demasiado tentador, lá continuava ele, no meio dos outros, todos iguais, todos a chamar-me numa voz muda «vá lá Miguel, já passou tanto tempo desde a última vez!»
Era verdade… a minha mente enfrentou um turbilhão de ideias e perspectivas de futuro. Finalmente, decidi-me. Entre as outras coisas que comprei, decidi levar também um dos ovinhos kinder que estavam postos perto da caixa de super-mercado.
Foi apenas para relembrar, um gesto mais nostálgico do que qualquer outra coisa. Trata-se de respeitar o que fomos em crianças, e o que fomos deve-se também ao que comemos.
A kinder faz parte do imaginário de todos nós. Não apenas pelos chocolates, e que tantas prematuras obesidades cultivou, mas também pelo seu rico rol de anúncios televisivos. Uma coisa é verdade e temos que reconhecer – que belos exemplos esses que a kinder foi dando às crianças ao longo dos tempos.
Passo a explicar. Quem não se lembra do anúncio do ovo kinder, em que um pai chega a casa com a oferenda para o seu pequeno pupilo. Num gesto arrogante e na ânsia de o comer, a pequena criança tira o doce das mãos do progenitor, correndo pela sala, com aquele olhar de lambão matreiro! Bonito modelo para a criança comum. Ou outro em que um pai e o filho brincam com o brinde do ovinho. Entretanto o telefone toca, é um colega do escritório (a pedir ajuda porque está com herpes e a Sónia dos serviços sociais quer marcar um café! Ou qualquer outra coisa tão grave e urgente como esta…) O pai, na presença do filho e do telespectador, que em choque assiste à cena, decide mentir! «Ai! Não oiço rigorosamente nada!», enquanto liga a máquina de sumos e faz barulhos parvos. É verdade que o miúdo acha graça, mas… que pai é este?! Que não é capaz de ajudar o amigo com herpes?!
Enfim… nem só de ovos se faz a kinder e entre outros anúncios espanhóis com dobragem portuguesa temos também o délice. A história é simples, e pouco original: Uma rapariga e um rapaz, um professor, uma praia e alguns caiaques. Como podem ver, um cenário comum. (Quem não se lembra de caiaques quando pensa em anúncios de chocolates?) Ela está cansada, farta de remar, faminta! Vasculha a sua mochila, mas! A mãe fez-lhe uma sandocha sem graça… Vida triste a dela. Contudo, nem todas as mães são assim, ao que parece o seu amiguinho tem mais sorte. «Ena! Tenho dois kinder délice na mala, até te posso dar um.» E assim os dois pequenitos têm a sua saudável e feliz refeição.
Obrigado kinder! Mas, só uma coisinha. Arranja outro gajo para estar nas embalagens do Kinder chocolate, é que aquele irrita um bocado.
De regresso a Ele.
Levei-o até casa. Voltei a olhá-lo. Desta vez com atenção e com a calma que o quarto nos permitia. Lentamente, e confesso que com algum nervosismo, pois à muito que não o fazia, despi-o, tirei todo o papel envolvente. Ele olhava-me com um misto de excitação e curiosidade. Nunca tinha sido comido, não sabia se ia magoar, se ia gostar… Dividi-o em dois e qual não foi a minha surpresa ao ver que o ovo interno está com um design diferente!
Então, comi-o. O sabor era o mesmo, aquele de que me lembrava! Mas não achei nada de especial. Abri o ovo surpresa (depois de algum tempo a perceber os intricados mecanismos para que isso acontecesse… afinal funciona da mesma forma que os antigos) vi o brinde, que me desiludiu bastante… e pronto, prossegui a minha vida.
A propósito, hoje comprei tulicreme… acho que ando um bocado saudosista…
P.S.: Eu sei que as falas não são bem assim. As minhas sinceras desculpas por qualquer falha ou liberdade literária, a vós leitores e aos actores dos anúncios que tanto tempo gastaram para as decorar.
Era verdade… a minha mente enfrentou um turbilhão de ideias e perspectivas de futuro. Finalmente, decidi-me. Entre as outras coisas que comprei, decidi levar também um dos ovinhos kinder que estavam postos perto da caixa de super-mercado.
Foi apenas para relembrar, um gesto mais nostálgico do que qualquer outra coisa. Trata-se de respeitar o que fomos em crianças, e o que fomos deve-se também ao que comemos.
A kinder faz parte do imaginário de todos nós. Não apenas pelos chocolates, e que tantas prematuras obesidades cultivou, mas também pelo seu rico rol de anúncios televisivos. Uma coisa é verdade e temos que reconhecer – que belos exemplos esses que a kinder foi dando às crianças ao longo dos tempos.
Passo a explicar. Quem não se lembra do anúncio do ovo kinder, em que um pai chega a casa com a oferenda para o seu pequeno pupilo. Num gesto arrogante e na ânsia de o comer, a pequena criança tira o doce das mãos do progenitor, correndo pela sala, com aquele olhar de lambão matreiro! Bonito modelo para a criança comum. Ou outro em que um pai e o filho brincam com o brinde do ovinho. Entretanto o telefone toca, é um colega do escritório (a pedir ajuda porque está com herpes e a Sónia dos serviços sociais quer marcar um café! Ou qualquer outra coisa tão grave e urgente como esta…) O pai, na presença do filho e do telespectador, que em choque assiste à cena, decide mentir! «Ai! Não oiço rigorosamente nada!», enquanto liga a máquina de sumos e faz barulhos parvos. É verdade que o miúdo acha graça, mas… que pai é este?! Que não é capaz de ajudar o amigo com herpes?!
Enfim… nem só de ovos se faz a kinder e entre outros anúncios espanhóis com dobragem portuguesa temos também o délice. A história é simples, e pouco original: Uma rapariga e um rapaz, um professor, uma praia e alguns caiaques. Como podem ver, um cenário comum. (Quem não se lembra de caiaques quando pensa em anúncios de chocolates?) Ela está cansada, farta de remar, faminta! Vasculha a sua mochila, mas! A mãe fez-lhe uma sandocha sem graça… Vida triste a dela. Contudo, nem todas as mães são assim, ao que parece o seu amiguinho tem mais sorte. «Ena! Tenho dois kinder délice na mala, até te posso dar um.» E assim os dois pequenitos têm a sua saudável e feliz refeição.
Obrigado kinder! Mas, só uma coisinha. Arranja outro gajo para estar nas embalagens do Kinder chocolate, é que aquele irrita um bocado.
Levei-o até casa. Voltei a olhá-lo. Desta vez com atenção e com a calma que o quarto nos permitia. Lentamente, e confesso que com algum nervosismo, pois à muito que não o fazia, despi-o, tirei todo o papel envolvente. Ele olhava-me com um misto de excitação e curiosidade. Nunca tinha sido comido, não sabia se ia magoar, se ia gostar… Dividi-o em dois e qual não foi a minha surpresa ao ver que o ovo interno está com um design diferente!
Então, comi-o. O sabor era o mesmo, aquele de que me lembrava! Mas não achei nada de especial. Abri o ovo surpresa (depois de algum tempo a perceber os intricados mecanismos para que isso acontecesse… afinal funciona da mesma forma que os antigos) vi o brinde, que me desiludiu bastante… e pronto, prossegui a minha vida.
A propósito, hoje comprei tulicreme… acho que ando um bocado saudosista…
P.S.: Eu sei que as falas não são bem assim. As minhas sinceras desculpas por qualquer falha ou liberdade literária, a vós leitores e aos actores dos anúncios que tanto tempo gastaram para as decorar.
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Miguel Ribeiro Pedras
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Dos arremessos
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A prática de desporto é, sem dúvida, uma actividade muitíssimo saudável.
Há quem prefira arrastar-se para o ginásio, há quem se atire ao mar com uma prancha, outros obstinam-se em perseguir uma bola num verde prado. Mais raros são os que levam a coisa mesmo a sério e se dedicam de alma, e corpo, claro está, a uma certa modalidade.
Pelas nossas terras lusitanas, e é assim desde tempo imemoriais, as novidades que chegam já deixaram há muito de o ser por outras paragens. Pois que parece existir um novo desporto, daqueles que nascem das ideias mais insólitas, muito em voga além fronteiras. Qual é? Digo já. Mas antes, recomendava mesmo ao comité olímpico que ponderasse incluir a modalidade já na edição de 2012.
Um sapato. Isso mesmo, o calçado é que está na base desta actividade. Trata-se do arremesso do sapato ao político. E acreditem, veio para ficar. Até se compreende, sendo as exigências da modalidade tão poucas. Basta um sapato, de preferência com uma sola bem resistente, e uma conferência de imprensa ou ajuntamento que envolva figuras de Estado. Depois, é só ter boa pontaria.
Vejam-se os exemplos. George Bush, no Iraque, foi alvo de um arremesso quase perfeito, não fosse o senhor presidente ter um bom golpe de vista e reflexos ainda melhores. Como se não bastasse, em Sevilha, um homem lançou outro sapato, desta feita ao primeiro-ministro turco. Parece que não acertou. Menos sorte teve o italiano que atingiu em cheio Berlusconi. Seria perfeito não tivesse, à falta de sapato, voado uma réplica da catedral de Milão. Foi desclassificado, está mesmo a ver-se.
Termino com o desejo costumado de que por cá se refreiem os ímpetos desportistas. Não seria agradável ver um presidente hospitalizado depois de ser atingido por uma bota ou um membro do governo filosofar quando lhe acertam com um par de ténis. Portanto, estimados leitores, contenham os ímpetos. E quem nunca teve desejos destes que atire o primeiro sapato.
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Hugo Franco d'Araújo
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Lectio perpetua
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Aqui o tempo não passa. Ali, ao Campo Grande, que se tornou pequeno para o caudal de trânsito e a quem os prédios, altos, roubaram a réstia de bucolismo.
Lá dentro, a frieza dos mármores do Estado que então se dizia novo, as alegorias do passado, o ressoar vazio dos passos, as mesmas lombadas gastas, tudo imutável. Dir-nos-íamos na década de 70, quando a patine que se respira era o cheiro orgulhoso da novidade que não se estreara ainda. Desde aí, só lhe mudou o nome. Foi de Lisboa, agora é portuguesa, mas sempre nacional.
A imponência, se existe, é forçada. Não tem a graciosidade e a leveza férrea da velha Bibliothèque Nationale, a solenidade esmagadora das estantes do Congresso ou a transparência luminosa da British Library. Só os traços severos de um modernismo já idoso.
Na sala, onde se lê, impera o silêncio monástico que transportou consigo desde os tempos do convento de São Francisco. Só o zumbido dos computadores, o bater das teclas que triunfou sobre o correr da pena, quebram a tranquilidade do espaço. Ao fundo, na Leitura Nova desbotada, permanecem as personagens, sempre as mesmas, mudas, tão mudas como os que efemeramente se sentam diante delas.
Falta a luz. A luz que as persianas insistem em ocultar, que permanece retida lá fora. Como se alguém nos mantivesse de castigo, como se faz com crianças a quem se diz «todos para parede e nada de brincadeiras». O silêncio triste é tradição. Mas a penumbra, o ar pesado, o mesmo mofo irrespirável, mais da sisudez dos homens que da velhice dos livros, tudo remete para uma penitência, como se ler, se pousar os olhos num grão de algum saber, fosse uma punição. Não é. Triste é haver quem diga que sim.
O que falta a muitos, se não a todos, é a vontade de ser e, sobretudo, de pensar. Pensar?! Para quê? Agora é tão fácil viver simplesmente porque sim e por nada. A este propósito, podia citar Descartes. Falta também, a cada um de nós, vontade de ver, de conhecer e de saber. Aqui podia encaixar Sócrates, o filósofo, entenda-se. Mas não. Basta dizer que existo, que penso e que percebo, a cada dia passado, que nada saberei.
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Hugo Franco d'Araújo
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
L'été me manque
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Hugo Franco d'Araújo
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
If you're going to...
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Fama, pelo menos, não lhe falta. Ele é filmes, ele é séries, mais livros e canções, tudo o resto onde se possa encaixar o nome do estado e daquelas cidades muito american dream. Hollywood, San Francisco, Orange County… Mas além do sol, das praias e da joie de vivre, há mais para oferecer.
A moda mais recente é a dos governadores assim a puxar para o incomum. Primeiro, já lá vão quase sete anos, veio o Schwarzenegger (nome tramado para alguém com um cargo público). À custa de ser popular, digo eu, que desconheço o projecto do senhor, lá conseguiu um gabinetezinho em Sacramento. Dos écrans de cinema para os palcos da política (onde não se é menos actor) foi um salto.
A saga continua. E agora, com eleições já próximas, chegou a vez de mais uma candidatura interessante. Frederic, alemão de nascimento e adoptado por uma princesa da família Anhalt, concorre ao lugar de Arnold. Assim, depois de um actor austríaco, a Califórnia pode ficar nas mãos de um príncipe germânico. Que nobre atitude, diria eu.
De resto, esperemos que a moda não pegue. Caso contrário, corremos o sério risco de ter um Dan Brown mayor ou a Lady Gaga à presidência. Aí sim, os paparazzi iam delirar.
Por cá, já estivemos mais longe. Que andam por aí muitos artistas, lá isso andam. Bons actores, são ainda mais. Mas haja bom senso, senhores, e cada um com seu mister.
Ah, a Califórnia… Esse pedaço de paraíso ali mesmo à beira do Pacífico.
Fama, pelo menos, não lhe falta. Ele é filmes, ele é séries, mais livros e canções, tudo o resto onde se possa encaixar o nome do estado e daquelas cidades muito american dream. Hollywood, San Francisco, Orange County… Mas além do sol, das praias e da joie de vivre, há mais para oferecer.
A moda mais recente é a dos governadores assim a puxar para o incomum. Primeiro, já lá vão quase sete anos, veio o Schwarzenegger (nome tramado para alguém com um cargo público). À custa de ser popular, digo eu, que desconheço o projecto do senhor, lá conseguiu um gabinetezinho em Sacramento. Dos écrans de cinema para os palcos da política (onde não se é menos actor) foi um salto.
A saga continua. E agora, com eleições já próximas, chegou a vez de mais uma candidatura interessante. Frederic, alemão de nascimento e adoptado por uma princesa da família Anhalt, concorre ao lugar de Arnold. Assim, depois de um actor austríaco, a Califórnia pode ficar nas mãos de um príncipe germânico. Que nobre atitude, diria eu.
De resto, esperemos que a moda não pegue. Caso contrário, corremos o sério risco de ter um Dan Brown mayor ou a Lady Gaga à presidência. Aí sim, os paparazzi iam delirar.
Por cá, já estivemos mais longe. Que andam por aí muitos artistas, lá isso andam. Bons actores, são ainda mais. Mas haja bom senso, senhores, e cada um com seu mister.
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Hugo Franco d'Araújo
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Le Grand Tour
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Hugo Franco d'Araújo
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Olhe, pode ser outra por favor!
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Ao que parece a senhora está ultrapassada. Mudem-se-lhe os peitos, o rosto e até a roupa que já está démodé! A figura é velha, gasta, reformem a mulher, a que temos não basta!
Por outras palavras, que não estas, é assim que se pronunciam algumas vozes descontentes. O alvo é a velha República, o seu busto, mais propriamente.
A ideia de alterar o busto republicano não é de todo original, já a pobre Marianne, das terras de França, teve a sua dose de transmutações.
Mas, e em Portugal? Deveríamos nós fazer o mesmo, exigir uma República de cara lavada e manda-la para a Corporación Dermoestética? Não lhe haveria de fazer mal… Eu sei que é um símbolo nacional e tudo mais… mas porque raio havemos nós de ter como símbolo nacional uma mulher com ares de padeira-revolucionária-chateada-com-a-sua-vida-de-mãe-solteira?
Temos tanta riqueza em exemplos femininos que enriquecem o nosso país no seu dia-a-dia. Venha a Júlia Pinheiro ou a Fátima Lopes inspirar o escultor, que seja a Amália a nova musa da República, a Ivone que até entrou no anúncio do Pingo Doce, a dona Judite do 3º esquerdo ou a velhinha da esquina! (e a senhora da esquina se quiser também pode ir ao casting)
Depois do novo busto estar concluído, fazia-se réplicas de bustozinhos em plástico de cores variadas e brilhantes para que pudéssemos ter alguma coisa para pôr em cima do naperon da televisão.
Não?
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Por outras palavras, que não estas, é assim que se pronunciam algumas vozes descontentes. O alvo é a velha República, o seu busto, mais propriamente.
A ideia de alterar o busto republicano não é de todo original, já a pobre Marianne, das terras de França, teve a sua dose de transmutações.
Mas, e em Portugal? Deveríamos nós fazer o mesmo, exigir uma República de cara lavada e manda-la para a Corporación Dermoestética? Não lhe haveria de fazer mal… Eu sei que é um símbolo nacional e tudo mais… mas porque raio havemos nós de ter como símbolo nacional uma mulher com ares de padeira-revolucionária-chateada-com-a-sua-vida-de-mãe-solteira?
Temos tanta riqueza em exemplos femininos que enriquecem o nosso país no seu dia-a-dia. Venha a Júlia Pinheiro ou a Fátima Lopes inspirar o escultor, que seja a Amália a nova musa da República, a Ivone que até entrou no anúncio do Pingo Doce, a dona Judite do 3º esquerdo ou a velhinha da esquina! (e a senhora da esquina se quiser também pode ir ao casting)
Depois do novo busto estar concluído, fazia-se réplicas de bustozinhos em plástico de cores variadas e brilhantes para que pudéssemos ter alguma coisa para pôr em cima do naperon da televisão.
Não?
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Miguel Ribeiro Pedras
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Outrora
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Mesmo que uma ou duas tenham sobrevivido, as lojas seriam outras. Não há entrada de metro ou músicos a tocar orgulhosas guitarradas, ainda assim, é o Chiado...
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Thursday's Lux(ury)
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Bocejo terminal
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Parece que um estudo recente concluiu que o tédio pode matar. Pronto, não é assim de repente, mas a verdade é que as pessoas mais positivas e bem-dispostas têm uma longevidade maior.
Este tédio assassino devia, tal como a gripe A (cada vez mais mortífera, como se tem visto), ser merecedor de toda a atenção do ministério da saúde. Devia elaborar-se já um plano de contenção para evitar um aborrecimento pandémico e, claro, criar uma linha telefónica para esclarecer os sensaborões. Sugeria mesmo que se fizessem consultas de planeamento lúdico, de forma a evitar as tendências de uma vida rotineira. O utente dirige-se ao gabinete do médico onde lhe é fornecido um plano de sugestivas actividades que trarão mais cor à sua tradicional pacatez. E ainda recebe um exemplar da agenda cultural.
Como o plano pode não resultar, é necessário equipar os hospitais para acolher os infectados cinzentões. Criar enfermarias especiais e salas equipadas com consolas de jogos, aparelhos de som, televisões e uma equipa sempre pronta de humoristas preparada para intervenções de choque. Reanimar, literalmente, é a palavra de ordem.
Contudo, não obstante a boa vontade, existem pessoas geneticamente predispostas ao fastio. E nesses momentos é um desgosto para a família, quando questiona o médico humorista acerca da esperança de vida do doente, ouvi-lo dizer: «Lamento, mas este bocejo não engana. Está em fase terminal.»
Para evitar este surto, o melhor é prevenir o contágio. E, pelo sim, pelo não, quando alguém vos disser que está aborrecido de morte, peguem no telefone e marquem o número de emergência. A infelicidade pode tornar-se num caso sério.
Este tédio assassino devia, tal como a gripe A (cada vez mais mortífera, como se tem visto), ser merecedor de toda a atenção do ministério da saúde. Devia elaborar-se já um plano de contenção para evitar um aborrecimento pandémico e, claro, criar uma linha telefónica para esclarecer os sensaborões. Sugeria mesmo que se fizessem consultas de planeamento lúdico, de forma a evitar as tendências de uma vida rotineira. O utente dirige-se ao gabinete do médico onde lhe é fornecido um plano de sugestivas actividades que trarão mais cor à sua tradicional pacatez. E ainda recebe um exemplar da agenda cultural.
Como o plano pode não resultar, é necessário equipar os hospitais para acolher os infectados cinzentões. Criar enfermarias especiais e salas equipadas com consolas de jogos, aparelhos de som, televisões e uma equipa sempre pronta de humoristas preparada para intervenções de choque. Reanimar, literalmente, é a palavra de ordem.
Contudo, não obstante a boa vontade, existem pessoas geneticamente predispostas ao fastio. E nesses momentos é um desgosto para a família, quando questiona o médico humorista acerca da esperança de vida do doente, ouvi-lo dizer: «Lamento, mas este bocejo não engana. Está em fase terminal.»
Para evitar este surto, o melhor é prevenir o contágio. E, pelo sim, pelo não, quando alguém vos disser que está aborrecido de morte, peguem no telefone e marquem o número de emergência. A infelicidade pode tornar-se num caso sério.
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Si Versailles m'était conté
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Pêlo na venta
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A propósito ainda dessa maravilhosa película que dá pelo nome de Lobisomem, importa dizer alguma coisita mais. Pois que, ansioso por ajuizar sobre o dito, lá me deixei arrastar até ao São Jorge. E estou indignado.
Bom, não me pronuncio sobre o argumento (ai, tão pobrezinho…) nem desvendo pormenores para que ainda possam ser surpreendidos quando o filme chegar aos cinemas. Mas não posso esconder mais a minha indignação. A criatividade dos realizadores e produtores está a esgotar-se. Então não é que os protagonistas do filme são inspirados na família Gonzáles? E quem são esses senhores, perguntar-me-ão os estimados leitores?
Ora Pedro Gonzáles (não, não é com um z no final), também conhecido como o Lobisomem das Canárias (esta alcunha é deliciosa) nasceu em Tenerife, no século XVI. Com uma pilosidade facial fora do comum, o rapazito depressa se tornou uma atracção. Levaram-no a passear e tantas voltas deu que foi para à corte do rei de França, Henrique II. Como fazia parte daquelas pessoas que não usam a cabeça, e a cara, acrescento eu, só para ter cabelo, parece que se conseguiu destacar como diplomata.
Mas uma desgraça nunca vem só. O senhor casou e teve filhos, ou melhor, filhas, que eram portadoras da mesma doença. Pois é, pelo menos perceberam que se tratava de uma doença genética. Agora imagine-se como, na casa dos Gonzáles, com tanta gente de pêlo na venta, devia ser difícil manter a tranquilidade.
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Hugo Franco d'Araújo
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